O Núcleo

Psicologia

Ao contrário do que muita gente pensa, ser obeso, na maioria das vezes, não é uma escolha de vida. A obesidade é sim uma doença que pode ser difícil tratar, pois uma série de fatores como os hormonais, sociais, psicológicos estão envolvidos neste processo. Sendo assim, o acompanhamento psicológico se torna uma ajuda muito importante para que o paciente passe por toda a transição que a cirurgia bariátrica oferece. Pode-se inferir que as motivações que levam os indivíduos a procurar a cirurgia bariátrica são calcadas nos retornos imediatos. Considerando que nos primeiros meses do pós-cirúrgico o paciente vive uma fase de euforia com a crescente perda de peso, não há, portanto, atenção por parte do paciente dos efeitos psíquicos da perda ponderal, como alterações da imagem corporal, mudança na vida conjugal e social e dessa forma abandonam o tratamento.

Alguns pesquisadores relacionam a adesão ao tratamento com adesão à dieta, entretanto esse termo se refere aos numerosos outros comportamentos essenciais à saúde que vão além de seguir à prescrição de medicamentos e dietoterapia. Envolvem questões referentes à subjetividade, mudança de hábitos, novas formas de vinculação com o outro e seu próprio corpo, compreendendo valores, crenças em relação à saúde e ao tratamento. No que concerne ao acompanhamento da Psicologia entende-se como uma boa adesão o paciente que assume uma postura ativa, que participa e assume responsabilidades sobre seu tratamento e escolhas na vida.

Etapas da avaliação com a psicologia:

1º Grupo Pré-Operatório:
Desmistificar fantasias sobre a cirurgia bariátrica; refletir sobre temas propostos (escolha pela cirurgia, ansiedade, fome orgânica e fome psicológica, deslocamento da compulsão, imagem corporal, alterações na rotina de vida); orientar sobre a importância do acompanhamento psicológico e multidisciplinar no pós-operatório; identificar demandas de pacientes para uma investigação mais apurada no atendimento individual; prevenir e orientar quanto a futuras complicações psíquicas.

2º Entrevista individual:
Investigar aspectos da história de vida do paciente, bem como observar recursos psíquicos do mesmo; identificar possíveis indicadores de cormobidades psiquiátricas; investigar nível de informação que o paciente possui acerca do procedimento cirúrgico e trabalhar possíveis distorções cognitivas e expectativas irrealistas, bem como oferecer informações relevantes do ponto de vista psicológico acerca das conseqüências da cirurgia bariátrica; implicar o paciente na sua escolha pela cirurgia bariátrica, o colocando na posição de co-responsável no pós-operatório; implicar o paciente nos aspectos psicológicos do seu processo de ganho de peso.

No pós-operatório é oferecido o seguinte tratamento:
Entrevista inicial do pós-cirurgico: Todos pacientes passarão por ela. Objetiva investigar demandas trazidas pelo paciente acerca do seu processo da cirurgia direta ou indiretamente ligadas à problemática corporal e existencial. Está entrevista deve ser marcada pelo paciente após realizada a cirurgia.

Grupos de Apoio: Objetiva compreender a subjetividade imbricada na relação com corpo e como apreendem seus sentimentos, pensamentos e percepção acerca do processo do pós-operatório. Atendimento quinzenal com o objetivo de adaptação ao novo padrão alimentar, orientação e reposicionamento em relação à saúde física e emocional.
Psicoterapia: Consiste num trabalho diagnóstico e interventivo continuado (semanal), via linguagem, de aspectos relevantes da história do sujeito, experiências direta ou indiretamente ligadas à problemática corporal. Não existe uma duração pré-determinada, baseia-se no trabalho de questões subjetivas trazidas pelo paciente.

Consulta de revisão: Objetiva acompanhar o paciente na medida em que tem utilizado recursos psíquicos e estratégias de enfrentamento funcionais frente ao pós-operatório de cirurgia bariátrica.

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