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Uma pesquisa revela os sete pecados à mesa dos gordos brasileiros.
Acaba de ser concluído o maior e mais minucioso levantamento sobre os hábitos alimentares dos gordos brasileiros. Realizada pelo instituto Toledo & Associados, a pedido da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, a pesquisa revela um cenário preocupante. Eles fazem tudo errado – comem muito e rápido demais, preparam mal os alimentos e, aos sábados e domingos, exageram ainda mais na comilança. "Essas pessoas não têm noção do risco que correm", diz o cirurgião Luiz Vicente Berti, coordenador do estudo. "Com esse tipo de comportamento, é como se estivessem sentadas sobre uma bomba-relógio." Ao todo, foram entrevistados 2.179 homens e mulheres, de 18 a 65 anos, das cinco regiões do país e pertencentes às classes de A a E. Metade deles estava pelo menos 5 quilos acima do peso ideal. Por essa amostragem, conclui-se que o contingente nacional de adultos com sobrepeso é de 60 milhões de pessoas. Quanto aos obesos, aqueles com mais de 10 quilos além do desejável, estima-se que somem 15 milhões. A seguir, os sete pecados mais comuns cometidos à mesa pelos gordos brasileiros.
Indagados sobre o local preferido para fazer as refeições, os gordinhos e obesos foram unânimes: em frente à televisão. "Isso não é recomendável para quem tem de perder peso", diz o endocrinologista José Antonio Marcondes, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. "É fundamental prestar atenção nos alimentos que estamos ingerindo, de modo a fazer as escolhas mais acertadas, o que na frente da televisão é impossível." O correto é iniciar as refeições com os alimentos de difícil absorção, como as fibras presentes nos legumes e verduras. Eles ocupam bastante espaço no estômago, o que favorece a sensação de saciedade. Quando as refeições são feitas à mesa, as pessoas tendem a se servir de porções menores, aos poucos e na ordem certa – a salada, o prato principal e a sobremesa. Já em frente à TV, o comum é colocar, de uma única vez, todo tipo de comida no prato, e em maior quantidade.
Somado, o tempo dedicado às três principais refeições é inferior a uma hora. O café-da-manhã é devorado em doze minutos, em média; o almoço, em 22 minutos; e o jantar, em 21 minutos. Cada uma das refeições deveria durar pelo menos o dobro disso. Um processo de mastigação mais lento é essencial para que o cérebro receba a mensagem de que é hora de cruzar os talheres. Quando o alimento é ingerido muito rapidamente, o estômago não tem tempo de transmitir a informação de saciedade ao sistema nervoso central.
Quando chega o fim de semana, seis de cada dez gordos liberam geral. Eles gostam de empanturrar-se de refrigerante e churrasco – em geral, aquele em que o espeto sai do fogo pingando gordura. Quem precisa emagrecer tem de controlar o apetite todos os dias da semana. Sábados e domingos de comilança só são permitidos para os que estão em forma. "No caso das pessoas acima do peso, não adianta controlar a alimentação durante a semana e soltar o freio nos dias de descanso. Mudanças drásticas no padrão alimentar desregulam o metabolismo, fazendo com que ele funcione mais devagar e, com isso, queime menos calorias", diz o cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni, do Hospital do Coração, em São Paulo. Depois de uma variação abrupta na dieta, são necessários até três dias para que o ritmo metabólico volte à velocidade anterior.
A forma mais comum como os gordos brasileiros costumam preparar os alimentos em casa é o cozimento. A princípio parece uma boa notícia em meio a tanta comilança desregrada. Mas é preciso lembrar que o método inclui desde brócolis fervidos a ensopados mergulhados em creme de leite. Não é difícil imaginar o que os glutões preferem. A fritura aparece em segundo lugar, com 52% da preferência de todos eles. Um alimento frito tem o dobro de calorias. Não custa repetir: os alimentos crus e grelhados são os mais saudáveis – levam pouco ou nenhum óleo e conservam mais os nutrientes.
Dos brasileiros com sobrepeso e obesos, 42% e 56%, respectivamente, têm o péssimo hábito de beliscar o dia inteiro. E só comem bobagens – coxinha, chocolate, biscoitos recheados e pastel, entre outros quitutes que estouram qualquer controle alimentar. Refeições diárias, de fato, eles fazem poucas – 3,5, em média. Entenda-se por refeição o momento em que a alimentação é a principal atividade. O ideal é que elas sejam cinco, bem distribuídas ao longo do dia: café-da-manhã, lanche, almoço, lanche e jantar. "Se deixamos o organismo mais de três horas sem alimento, ele reage como se fosse passar fome e retarda o ritmo do metabolismo, o que ajuda a acumular gordura", diz o endocrinologista José Antonio Marcondes.
No café-da-manhã, o pão é o alimento mais presente, fazendo parte da refeição de 78% dos gordinhos e de 84% dos obesos. As frutas são consumidas por uma minoria. No almoço e no jantar, o arroz aparece em primeiro lugar. As verduras só estão presentes à mesa de metade deles. Quem está acima do peso tem de controlar – e muito – o consumo de carboidratos. Nesse caso, eles não devem ultrapassar 40% do total de calorias de uma refeição. Numa dieta de 1.200 calorias, por exemplo, isso significa que, no café-da-manhã, é permitido, no máximo, meio pãozinho francês. No almoço e no jantar, apenas uma concha de arroz em cada refeição. E, ao longo do dia, de lanche, uma banana ou meio mamão papaia.
De cada dez brasileiros acima do peso, sete escolheram "ir à padaria" como a principal atividade de lazer. Na segunda posição do ranking dos programas mais divertidos, apareceu o restaurante. Dispensa-se aqui qualquer tipo de comentário: ninguém vai à padaria ou ao restaurante com outro objetivo senão o de comer.