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Mapa de doenças não transmissíveis no Brasil


Professor diz que principal causa é a falta de informação. Inédito, estudo dá início a uma série histórica sobre os males.

O Ministério da Saúde divulgou, nesta quarta-feira (14), em Brasília, o resultado de um estudo inédito feito em 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal sobre a situação das doenças crônicas não transmissíveis. O Sistema de Monitoramento de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (Vigitel) entrevistou, por telefone, no ano passado, 54 mil pessoas e apontou, por exemplo, que os mais afetados pela hipertensão são os moradores de Recife, com 25,9%. O menor índice foi verificado em Palmas, com 15,1%.

A obesidade tem mais ocorrência em João Pessoa (13,9%) e menos em Belo Horizonte e São Luís (8,7% em ambas). Com relação à diabetes, a pesquisa aponta que a capital em que a doença é mais freqüente é São Paulo (6,2%) e menor em Palmas (2,7%). O consumo de álcool é maior em Salvador (22,1%) e menor em São Paulo (12%).

O professor e pesquisador da Escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Monteiro, diz que os dados mostram as diferenças culturais entre as regiões e estados brasileiros. “As maiores incidências de adultos homens que comem carne com gordura é em Cuiabá, com 62%,e Campo Grande, com 62,5%. O menor é em Salvador, com 37,6%. Isso é reflexo da realidade econômica de cada lugar”, acredita.

O ministro da Saúde, Agenor Álvares, garante que o Vigitel será realizado anualmente. “Já está separado em nosso orçamento uma parte para fazemos a pesquisa ao longo de todo este ano.” Álvares pretende aumentar o número de municípios que fazem parte do estudo. “Há cidades que não são capitais mas que possuem mais habitantes do que as próprias capitais”, argumenta.

Falta de informação

O professor Carlos Monteiro acredita que a principal causa da existência de doenças crônicas não transmissíveis no Brasil é a falta de informação. “As pessoas precisam passar por um processo de alfabetização em saúde, para entender, por exemplo, que fazer atividade física pode prevenir o diabetes e que pessoas sedentárias têm mais propensão a ter câncer”, exemplifica Monteiro.

Para o professor, os dados mais alarmantes da pesquisa são os percentuais de pessoas que confessaram estar com excesso de peso (40%), inativas (30%), se alimentando mal (25%), fumando (16%) e que consumindo álcool (16%). “Apesar disso, os dados nos deixam otimistas. A gente observa que os fatores de risco vêm diminuindo ao longo do tempo”, ressalta Monteiro, referindo a dados de uma pesquisa realizada pelo Banco Mundial apenas nos estados do Nordeste e Sudeste em 1997. Naquele ano, 3% das pessoas faziam atividades físicas. Hoje, 15% dizem fazer atividades físicas com regularidade.

Tanto o professor Monteiro quanto o ministro Álvares ressaltaram que os percentuais de pessoas que se declararam fumantes e consumidoras de álcool são os mesmos: 16%. “Fica bastante claro, com isso, que essas os consumos dessas duas drogas estão muito ligados”, assegura o ministro da Saúde.

Políticas públicas

O ministro Agenor Álvares defendeu a realização da pesquisa – e a continuidade dessa prática nos anos subseqüentes – como mecanismo de guiar a criação de políticas públicas para a área da Saúde. “Se os dados nos mostram que a situação mais preocupante é a dos hipertensos, então vamos criar políticas para combater esse mal. Se for a má alimentação, a política pública tem de ser outra.”

O ano passado foi o primeiro em que a pesquisa foi realizada em todas as capitais brasileiras. A partir do ano que vem, será possível começar a fazer uma série histórica sobre as doenças crônicas não transmissíveis.

Homens e mulheres

Segundo a pesquisa, o hábito de fumar se mostra mais disseminado entre homens do que mulheres em todas as cidades, com exceção de Goiânia e Rio de Janeiro, onde a freqüência de fumantes é semelhante nos dois sexos.

Outro dado que aponta os homens com hábitos menos saudáveis que as mulheres é o consumo abusivo de bebidas alcoólicas. Considerando o conjunto da população adulta das cidades estudadas, observou-se que o consumo abusivo álcool é duas vezes mais freqüente nos homens (16,1%) que nas mulheres (8,1%).

Em ambos os sexos, o uso abusivo de bebidas alcoólicas foi maior nas faixas etárias mais jovens, alcançando cerca de 30% dos homens e cerca de 10% das mulheres entre 18 e 44 anos. É considerado consumo abusivo mulheres que ingeriram quatro doses ou homens que consumiram cinco doses de bebidas alcoólicas em um único dia, nos últimos três meses. A pesquisa considera como dose de bebida alcoólica uma dose de destilada, como por exemplo, uma lata de cerveja ou taça de vinho.

Números

Fatores Risco Tabagismo Sedentarismo Excesso de peso Obesidade Consumo de álcool
Maior Porto Alegre (21,2%) Natal
(35,1%)
RJ
(48,3%)
João Pessoa (13,9%) Salvador (22,1%)
Menor Salvador (9,5%) Boa Vista (21,6%) São Luís (34,1%) BH
(8,7%)
São Paulo (12%)

Fonte: g1.globo.com

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